4.2.16

Queria ser Jessy

Jessy
Já faz tempo que não escrevo. Mais especificamente, sobre meus sentimentos. Eu tenho escrito um bocado lá no Call me Maya e, apesar de andar falando muito sobre positividade, coisas que me inspiram e tentar inspirar pessoas, eu não falo tão abertamente sobre minhas crises de pânico dos últimos meses, meus episódios que têm lembrado muito episódios de anos passos e sobre o quanto eu desejei tantas das coisas que tenho hoje e agora meio que quero tudo como era antes.

Ser humano é uma bosta. A gente passa anos desejando uma coisa a ponto de chorar baixinho por ela antes de dormir e quando acorda na nova realidade pergunta quem te colocou ali. Há quem diga que sou ingrata. Há quem diga que a hora que eu quiser empacotar minhas coisinhas e voltar pra minha cidade amada, é só fazê-lo. Pois eu digo que tudo isso soa fácil demais pra ser viável. A vida não é fácil, migos meus, e na real não tem que ser. Não é papo de pessoa negativa, até porque ando numa vibe bem alto astral ultimamente, é simplesmente papo de uma pessoa que na vida não existem coincidências e existe uma nova fase esperando para começar assim que a gente tomar uma decisão e não simplesmente sentar no sofá o dia todo esperando o dia acabar.

Eu sou impulsiva e precipitada e ajo demais com o coração. O que é lindo na teoria, mas na prática pode te tornar uma pessoa muito amarga consigo mesma e te fazer esquecer que ao agir com o coração, você deveria agir pela pessoa que mais ama na vida: você mesmo. Eu vivo esquecendo o quanto sou importante pra minha própria vidinha e o quanto se nada der certo a única coisa com a qual vou precisar lidar no dia seguinte será comigo.

Passei três meses sozinha em Bucareste. Sozinha mesmo, só com umas pessoas maneiras que conheci lá. E foi por lá que pensei nessas coisas todas. No quanto sou importante. No quanto sou eu que preciso me tirar da cama todos os dias, não esperar pra que venham ao meu resgate num dia de depressão. No quanto devo ser uma companhia incrível porque de 90 dias naquela cidade, uns 50 eu passei na Starbucks com o meu notebook criando coisas legais e tomando meu chocolate quente numa boa, sem gente pra me perturbar. E amei tanto. Eu me descobri bem mais livre e dona de mim do que imaginava que um dia seria. Ou que já fosse. Fui muito ao KFC nos primeiros dias, até querer cuidar bem do meu corpo (e da minha carteira) e me virar pra cozinhar umas coisas mal feitas, mas feitas por mim, né mores.

Amo como esses parágrafos não têm nada muito que ver um com o outro, mas no fundo têm sim: ando descobrindo a vida por conta de decisões que primeiro achei boas, aí odiei, aí percebi que tinham um motivo. E tô quase pronta pra tomar a próxima decisão da vida, esperando que tudo que aprendi sirva pra me ajudar. Mas em toda grande decisão eu penso assim, e aí vem o mesmo ciclo. E aí acontecem coisas legais. E não tão legais, pra acontecerem as legais de novo. É eterno.

É uma vidinha.

Talvez ser humano não seja tão bosta assim.

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