26.6.14

Lessons learned

Minha raiva passou. E, sim, eu senti raiva. Muita. Acho que é inevitável em situações como a que você me colocou. Você foi injusto comigo, me colocando no meio da sua bagunça. Espero que não faça isso com a próxima pessoa que cruzar o seu caminho. Aliás, prefiro pensar que ninguém vai cruzar seu caminho. Desculpe se soa egoísta. Ainda dói muito pensar que não será a minha mão que você procurará enquanto dorme, como fez tantas vezes. Ou o meu colo que você usará pra descansar no fim do dia, até pegar no sono com o meu cafuné.

Meu defeito sempre foi ser detalhista demais. Eu me lembro o que você estava usando quando me conheceu e qual foi a última coisa que falou. Sei a hora que me mandou a primeira mensagem depois do nosso primeiro encontro e qual foi o único dia em que você não me deu bom dia enquanto ficamos juntos. E tudo isso acumula e aperta. Começo a sufocar e tossir, talvez para enganar quem percebe que estou chorando. Poucas vezes chorei assim, descontroladamente. Eu sentei à minha mesa de trabalho e comecei a chorar enquanto lutava contra a vontade de te mandar uma mensagem pedindo para que se cuidasse.

Falando nisso, se cuide. Eu te quero tão bem, bem mais do que você pode imaginar. Eu nunca sonhei com almas gêmeas, príncipes encantados ou coisas do tipo, mas sou uma romântica incurável, sim. E eu me lembro do dia em que você disse que não parava de pensar em mim e eu fiquei na dúvida se aquilo seria bom ou ruim. Você me garantiu que era bom, mas hoje acho que só faz doer mais. Porque nenhuma parte de mim entende como pode ser justo algo tão intenso durar tão pouco.

Talvez devêssemos ter ido com mais calma. Talvez eu devesse ter chamado um táxi no fim do nosso primeiro encontro e não entrado no seu carro. Talvez você devesse ter esperado alguns dias para me ligar e não duas horas depois. Talvez devêssemos ter esperado para contar sobre nossos relacionamentos passados e bagunças que passamos, porque, querido, já tinha passado mesmo. E, inclusive, tudo isso também já passou e eu preciso parar de tentar encontrar onde foi que deu errado. Só não deu certo, que pena, adeus.

Uma parte de mim começou a aceitar o fim e achar que foi melhor assim, mas me deixe sofrer um pouco mais. Eu ainda não acostumei com a ideia de não ter ninguém pra perguntar o que tem na TV à noite ou me fazer correr pra chegar cedo do serviço e ter tempo de me arrumar pra sair. Eu tenho saído, mas não é a mesma coisa. Muitos lugares me lembram você e tenho medo da tentação de te procurar mais uma vez, porque apesar de ser o que eu quero, foram poucas as vezes que quisemos as mesmas coisas.

Eu ainda não consigo ouvir Ira sem lembrar da forma como você cantava Tarde Vazia ou pedir uma Quilmes sem pensar que foi com você que tomei pela primeira vez. Eu sinto falta de coisas que você pode não lembrar, mas que formavam algo maior. E disso eu sei que se lembra, de como foi bom o que tivemos. Hoje eu me pergunto como algo tão bom pode machucar tanto, mas foi o fim que me machucou, não você. Você deu seu melhor e tudo o que posso fazer agora é esperar. Ou você voltar ou tudo isso passar. E me lembrar todos os dias que, de uma forma ou de outra, vai acabar bem.

1 comentários:

Leth's disse...

E ai passou? Belíssimo seus textos não consigo parar de ler!