21.6.14

Doing it wrong

Eu não quero ficar no meio da sua bagunça. Se resolva e volte. Ou não, na verdade. Me deixe seguir em frente e faça o mesmo. Encontre outra pessoa que aguente suas mudanças repentinas de humor e aceite seus pedidos de desculpas tão bem ensaiados. Você nem parece o mesmo cara que, duas horas depois do nosso primeiro encontro, disse que já estava com saudade. Ou você mente bem ou não sabe o que quer. Por mais brava que eu esteja, vou passar um pano pra você e admitir que sempre te achei indeciso. E que deveria ter me afastado quando percebi isso. Então, sim, a culpa também é minha.  Eu sabia o que eu queria e que você não poderia me dar nada daquilo. Eu queria um conto de fadas e príncipes não chegam em Pajeros.

Acho que minhas expectativas são sempre meio altas. Eu me apaixonei por você antes de te ver pessoalmente e isso é loucura. Não, espere: é carência. Eu mergulhei de cabeça, ansiosa pra te encontrar lá embaixo. E só me machuquei. A pior parte? Eu vou continuar mergulhando de cabeça. Uma parte de mim acha que nem é assim tão ruim. Eu não quero virar uma dessas pessoas - você, inclusive, faz parte desse grupo - que deixam de acreditar no amor por causa de uma ou duas decepções. Não importa o tamanho delas. Tenho chorado o tempo todo que passo acordada desde que te vi pela última vez e mesmo assim mantenho a esperança de que uma hora vai passar e outra pessoa vai chegar e talvez eu até chore por ela também. A vida é uma bagunça.

Coloquei seu moletom numa caixa com um bilhetinho. Passo no seu prédio essa semana pra deixar com o porteiro. Eu passei algumas noites agarrada a ele (ao moletom, não ao porteiro) e pensei que se nem de um moletom eu consigo desapegar, quem dirá de você. Então começo me livrando do que posso, já que aparentemente sentimentos são impossíveis de controlar.

Meu número ainda é o mesmo e meu endereço não mudará tão cedo. Uma parte de mim ainda espera que você repense sua vida toda no próximo par de dias e venha me ver. Todas as outras a chicoteiam por ser tão ingênua. Meu nó na garganta ainda não permite que eu deseje que você encontre amor. Sou egoísta demais e gostaria que o meu tivesse sido suficiente. Mas que você encontre paz. Todas as coisas boas estão implícitas aí. E eu continuo acreditando em destino, que o que tiver de ser será. Isso me conforta. Porque se for pra ser com você, eventualmente acontecerá. Se não acontecer, é porque outra pessoa virá ao meu encontro e será a pessoa certa. Espero, do fundo do meu coração, que eu esteja certa.

(Mas que você ainda pense em voltar.)

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