28.5.14

Vegas skies

Eu já roí todas as minhas unhas. Descasquei meu esmalte e não me preocupei em passar uma nova camada. Na verdade, eu não ligo muito pra essas coisas. Eu gosto de deixar meu cabelo secar naturalmente e minhas unhas curtas pra poder tocar violão. Confesso que já toquei mais. Ultimamente, sinto que acumulo muitos sentimentos e atropelo os acordes. Palavras nem saem. Fico no meio do quarto repetindo uma sequência de sons que amanhã não vou lembrar. Só pra passar o tempo e me acalmar. Porque, você deve saber, eu sou uma pilha de nervos. Poucas coisas me acalmam. Estar com você é uma delas, mas eu acho tudo que envolve sentimentos bons piegas demais e acabo não dizendo em voz alta. Pode me xingar. Eu deveria ter dito que estava apaixonada por você no dia em que te conheci. Não dei nem mesmo um sorriso.

A verdade é que eu não estava, estava empolgada. Mas hoje eu estou, sim. Levei um bom tempo, não é? Essa minha armadura até que funciona, o problema é que, uma vez que ela cai, eu não tenho mais como me defender. Então me entrego. De corpo e alma e, acredite, você tem os dois na palma da mão nesse momento. O engraçado é que eu não estou com tanto medo. Olha só, você pode fazer o que quiser comigo a partir de agora e eu não estou com medo. Porque eu não acho que vá me machucar. Ou talvez eu tenha esquecido tudo o que já passei com outras pessoas e esteja acreditando em amor verdadeiro só pra me magoar uma outra vez. Não que seja uma coisa ruim. Uma vez, me disseram que a gente precisa encarar a vida com os olhos de uma criança, com inocência, ou a gente não vive. Eu me lembro porque foi um cara que gostou muito de mim que me disse isso. E no dia seguinte eu me declarei para o melhor amigo dele. Bem...

Eu não sou boas com palavras em voz alta, mas meu melhor lado resolve dar as caras quando escrevo. Sou fã de cartas. Escrevo e não envio só pra poder reler e sentir mais uma vez o que sentia enquanto escrevia. Mas esta eu não preciso enviar, certo? Está aqui e em qualquer lugar que qualquer pessoa queira. Na verdade, talvez você nem perceba que é sobre você. Talvez eu deva falar sobre como nos conhecemos de forma inusitada ou suas mensagens me fazem querer sorrir logo cedo - e Deus e você sabem como eu sou logo cedo. Mas agora você já sabe que é sobre você. Posso continuar.

Continuar dizendo que alguns dias eu fico neurótica por me sentir tão bem. Porque eu não sinto que mereço e que Deus pode perceber isso a qualquer momento e te tirar de mim. E, sim, eu vou culpar Deus se isso acontecer um dia. Porque eu raramente admito meu erros. Eu não noto o quanto evito sentimentos até que seja tarde demais. Até que eu diga "eu devia ter..." e complete a frase com algo que nunca mais farei. Eu espero que ainda seja cedo. Que eu possa voltar atrás em todos meus momentos de silêncio. Nem todo mundo entende que quem cala consente e que cada vez que você me dizia algo sorrindo e eu não sabia retribuir, meu coração recebia o que precisava pra vir à vida. Eu o sinto completo agora. E pronta pra te fazer tão bem quanto você me fez. Aquela história de achar sentimentos bregas demais? Balela. Brega é fingir que não se tem sentimentos quando gostar de alguém está em segundo lugar nas melhores coisas da vida. Em primeiro ainda está você.

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