31.5.14

One of the boys

Deita aqui só um minuto e me deixa contar que você é o motivo do riso tímido que levo enquanto caminho até o trabalho toda manhã. Eu repasso diálogos só pra analisar mais uma vez o que eu poderia ter dito pra te fazer perceber como me faz bem. Minhas piadas e risadas não têm nada a ver com a cerveja, é você. Você me faz querer ser boa e Deus sabe que eu nunca fiz questão de fazer bem ao próximo. Droga, cá estou eu me pintando como um monstro mais uma vez. Eu não sou nada disso. Eu choro fácil, na verdade. Me comovo com pouco e me apego rápido.

Eu chorei numa estação de metrô quando você pediu desculpas pela semana difícil que afastou a gente e chorei num shopping quando você perguntou se a gente ia sair de novo dois dias depois do dia em que a gente se conheceu. Chorei porque é difícil alguém que insista em bater na porta que mantenho sempre trancada. Minhas paredes são de aço, mas meu teto é de vidro, querido. E você atirou a primeira pedra. Deu um jeito de entrar, fez esforços que eu não faria por alguém como eu. E, depois de te ver, eu volto pra casa com o coração apertado por não ter contado que nada me faz mais feliz que ter alguém que não esteja procurando uma saída de emergência aqui dentro.

Eu sempre falo as coisas na hora errada e meus pensamentos vivem colidindo, mas aquela velha história de "não falo tudo o que penso, mas penso tudo o que falo" funciona bem pra mim. O problema é que na maior parte do tempo eu só escuto mesmo. E fico em silêncio, processando. Se saem duas palavras depois, são brincadeiras com um fundo de verdade que eu espero que você não perceba. Eu não sei falar de amor, então solto um "eu te odeio" a cada duas frases torcendo pra que você saiba que mulher quase sempre quer dizer o contrário. Taí, um dos clichês no qual eu me encaixo, já que aparentemente eu ficar pronta 2 horas antes de você e preferir chopp a caipirinha me faz sair um pouco do padrão.

O mais engraçado em todo esse tempo, é ter passado todo esse tempo. Sabe? Conto os dias, caso você não tenha sacado ainda. Desde o dia em que falei com você e desde o nosso primeiro encontro. Acho que aquele começo foi bem estranho e romântico, mas hoje eu me sinto muito melhor. Tenho mais confiança em você e no que a gente pode ser. Se eu nunca disser, saiba desde já que parte de mim é sua. Se eu não conseguir dizer que poderia cair no sono todas as noites conversando com você no travesseiro ao lado, descubra agora que eu - que tenho pavor da ideia de dormir e acordar com uma mesma pessoa todos os dias - ando mudando de opinião. Se algum dia eu esquecer tudo o que sinto agora, me faça lembrar. E não se preocupe, se eu esquecer, você vai perceber. Talvez eu comece a falar que te amo ao invés de odeio e essa vai ser a hora em que as borboletas voaram. Porque eu gosto de sentir as mãos geladas quando penso em amor e a garganta travar quando tento falar. Se não travar mais, não vai mais ter graça. Como você mesmo disse, eu rio de tudo. É que se não me faz rir, não deve valer a pena.

PS: Noite passada me fez rir o dia todo.