5.5.14

Long after you're gone

Eu só quero um amor desses de filme. Não, espera, amores de filme têm muito drama, muita ação, e eu só quero mesmo um amor que aceite que meu passatempo favorito é um cobertor e dez episódios da minha série favorita. Só o som da tv, risadas e cafuné num domingo frio. Acho que isso é o mais íntimo que qualquer pessoa pode ficar. Não há nada mais vulnerável que rir de uma piada ruim na tv enquanto se deita nos braços de alguém que acha graça na sua simplicidade. Eu sei ser simples, eu só não consigo ser simples com qualquer um.

Eu não vou saber rir de mim mesma se eu tropeçar ou derrubar café no meu vestido novo e você não for de confiança. Esquisita assim mesmo. Eu preciso confiar pra poder mostrar o meu lado normal. Eu preciso sentir confiança pra conseguir conversar logo quando acordo, mostrar meus textos melancólicos, contar que gosto de ouvir Taylor Swift apesar da minha idade. Eu preciso sentir que não serei deixada em breve pra poder admitir que eu tenho mais amor em mim do que qualquer pessoa que você já conheceu, que eu não sou assim tão vazia, que acho perdão maravilhoso e chorei na primeira vez que consegui perdoar alguém. Eu só vou contar sobre como acredito em Deus, vidas passadas e destino se você me prometer gostar um pouco mais de mim depois de toda a loucura que levo como crença.

Talvez eu seja mesmo um pouco difícil de entender, mas o que eu preciso mesmo é de alguém que não desista quando eu não puder dar o meu melhor, porque tenho plena consciência de que há coisas a mudar aqui, mas eu não vou conseguir mudar sozinha. É muito mais fácil ser exatamente como sou e afastar quem se aproxima, mas é tão melhor ter alguém no fim do dia. Eu tenho mudado, confesso. Tenho dado segundas chances e acordado de bom humor. Não foi trabalho só meu, é claro. Eu nunca ao menos pensei que existisse algo como dar uma segunda chance a alguém. Quando eu cansava, desistia e acabava. Achava que depender de outra pessoa era besteira até descobrir que ninguém vive sozinho. Uma professora do ensino médio me chamou de ilha uma vez, levei como elogio e só hoje vejo que ela queria abrir meus olhos.

Já já entro em devaneios, como sempre. Então começo a pensar em palavras que encerrem de uma forma doce, porque eu não estou triste, acredite. Ser sozinha dói, mas estar aberta à oportunidades é maravilhoso. Ter medo de me machucar também é. Eu sempre controlei tudo e fugi do amor quando descobri que não podia controlar parte dele. De repente, vê-lo entrar é sinal de esperança. Coisa que eu nunca pensei que tivesse, mas estava errada. Como sobre tantas outras afirmações que já fiz. E tudo isso independe da minha idade ou das minhas experiências. É só a vida. Dizem que é bonita. Eu acho que são peças de um quebra cabeça espalhadas pela sala, não dá pra saber a imagem que elas formam. E gosto assim.

1 comentários:

Marina Scholze disse...

Adorei, me identifiquei,quase chorei no comecinho.
Vc escreve muito bem <3
Seguindo o blog faz um tempo, mas não tinha visitado.
Beijão
http://marinascholze.blogspot.com.br/2014/04/exercicio-fisico-caminhada-e-corrida.html