13.3.14

Begin again

É normal. Tá tudo bem. Mesmo. Eu descobri cedo que a gente quebra a cara mil vezes, dói por um tempo e depois vai suavizando. A gente vai até acostumando. A gente até esquece e dá mais uma chance pro que fez doer. Ou então se esconde num cantinho e não sai mais de lá até que alguém venha buscar com escudo e tudo. É uma questão de escolha e sabedoria. Saber que nem sempre a segunda opção vai vir com o pacote completo, sabe? Nem sempre buscam, nem sempre esperam que a gente se levante. As pessoas cansam rápido, principalmente uma das outras. Amor não cansa, mas quem disse que todo mundo conhece amor nessa vida? Eu acho que pouquíssimas almas gêmeas se encontram aqui embaixo.

Já faz dez anos desde que me deixaram pela primeira vez. E a gente aceita, porque, meu Deus, não tem outro jeito. Ninguém força ninguém a nada. Mas também me deixem sofrer, porque é meu direito. Na verdade, se algo me machucou, o estranho seria se eu não sofresse. Significaria que eu não me importo e, olha, eu me importo com mais coisas do que qualquer um imagina. Eu tento não me importar, mas o 'bom dia' do cara que eu conheci semana passada se tornou quase tão importante quanto o pior problema da minha melhor amiga. Eu sou intensa com qualquer coisa que aconteça, não meço certas ações e já rezei muito pra não sentir mais nada. Mas nada.

Eu quero tempo, mas eu não sei se tempo me traria paz. Talvez quando o mundo voltasse a girar depois de alguns dias parado, as coisas estivessem como hoje e eu iria querer mais umas horas pra me adaptar. E eu nunca me adaptaria à ideia de dar tanto de mim e estar esgotando todo meu estoque de sentimentos bons porque ninguém se importa o bastante pra repor. Ah, minhas noites na Augusta... que saudade de não conseguir lembrar o que acontecia. Eu preciso levar uma vida como a que eu costumava levar, só me manter sóbria por poucas horas no dia. E nem comece com a conversa de que eu preciso encarar os fatos. Eu encarei e descobri que não sou forte o suficiente pra lutar contra todos eles. Prefiro dar as costas.

Prefiro ser isso, o que eu sempre fui. Um poço de águas amargas, uma colecionadora de pedaços de vidas que nunca se encaixaram aqui. Uma aí, desesperada por qualquer olhar ambíguo, qualquer inimigo com um pouco de cachaça. Esperando a vida cansar de se arrastar. Porque uma hora ela cansa. E aí eu encontro minha alma gêmea em outro lugar.

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