2.12.13

My medicine

Por muito tempo eu precisei ficar calada. Digo, eu tinha mil e uma coisas para dizer, mas não conseguia processar meus sentimentos. Eu te amava tanto que chegava a te odiar, sabe? Era só você pisar na bola que eu sentia raiva e queria me vingar. Comecei a me perguntar que tipo de amor era aquele, que não conseguia perdoar ou pelo menos relevar uma falha ou outra. Comecei a pensar que talvez você não fosse a pessoa certa, como dizem nos filmes e nas músicas que eu mais amo.

A verdade é que eu não sei se existe uma pessoa certa para cada alma. Até hoje eu acreditava que sim, até porque você era minha alma gêmea. É verdade, eu estou rindo da minha ingenuidade, mas é verdade. Sei que você deve ter rido por dentro todas as vezes que eu falava algo do tipo. Nunca disse que te amo - ainda bem! -, mas quando eu ficava muito bêbada, tarde da noite, e te ligava falando sobre outras vidas e como eu acreditava que você me entendia, eu estava praticamente me declarando. Lembro de te ouvir perguntando se eu te amava e só ter dado risada, como quem diz sim. Disfarcei bem, mas me senti estúpida só por sentir amor.

Eu sempre senti que te devia muito porque você me deu muito também. Eu tinha dezessete anos e tinha acabado de tentar tirar minha própria vida. Você não sabe disso, mas eu ainda estava me recuperando. Estava muito fraca e cheia de marcas no corpo, marcas do ódio que sentia de mim mesma. Pensava que não aguentaria. E talvez se você não tivesse aparecido, eu não teria aguentado mesmo. Mas você apareceu! Meu Deus, em menos de um mês eu consegui me livrar de todos os meus maus hábitos porque você tinha virado meu vício maior. Eu queria usar roupas mais bonitas, então tratei de me livrar das minhas marcas todas. Você era como um remédio. Todos meus médicos me deram pílulas que me deixavam mais triste, mas você acertou na dose. E desde então eu te amo, mas é como se eu não conseguisse me amar se te largasse. É aí que meus sentimentos ficam confusos e eu dou graças a Deus por nunca ter dito que te amo em voz alta.

Parece que toda vez que brigamos, desconto o que sinto em mim. Acho que não somos saudáveis juntos. É como se você já fosse parte de mim e a mesma raiva que sinto de você vez ou outra é a raiva que eu sentia de mim aos dezessete anos. Não passou. Ainda está encubada aqui. Você só conseguiu amenizar por um tempo, como uma droga mesmo, e agora preciso de algo mais forte. Você já não faz mais efeito, mas enquanto eu não encontrar algo que faça, não posso te largar ou vou à loucura de verdade. Faz sentido?

Na verdade, eu nunca fiz sentido algum. Eu era a menina de doze anos que carregava um caderninho sempre que ia para festas de aniversário para poder escrever letras de músicas sobre as pessoas que conheceria. Eu era a menina que queria ser compositora e acabei aceitando ser comunicóloga, não sei por que cargas d'água. Eu era a menina que se machucava no banheiro da escola e ficava brava quando queriam me ajudar, como se não soubesse que precisava de ajuda. Eu sempre quis sentir dor. É verdade, não dê risada. Dói admitir que talvez eu queira ser assim. Triste. Deve ser por isso que vou até você mesmo quando tudo me implora para que eu não vá. Deve ser por isso que parei com todos os meus remédios só porque havia te conhecido. Deve ser por isso que precisei ficar calada e vou continuar. E isso é só uma carta que você nunca vai ler, porque eu estava com raiva quando comecei a escrever, mas já te amo de novo.

1 comentários:

Nequéren Reis disse...


Olá!!!, Deus te abençoe bom dia, amiga texto
muito bom, o desabafo faz bem a saúde sucesso amiga.
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