17.12.13

All we ever do is say goodbye

Eu te amava. Meu Deus, como eu te amava! Não me ache louca, apesar de sempre parecer pouco sã quando estou perto de você. Nem pense que não amo mais. Eu só estou surpresa com o quanto eu te amava na época em que te conheci e hoje sinto que acostumei com a sua presença. Sabe? Não é como se eu precisasse perder pra dar valor, sei a falta que você faria se fosse embora, mas estamos falando de uma menina que dançava no meio do quarto ouvindo Taylor Swift, se sentindo a mais sortuda do mundo por sentir tanto depois de tanto tempo sentindo tão pouco. Hoje em dia, um bom encontro com você deixa um sorriso nos meus lábios, me faz dormir em paz, mas não me faz dançar minha música favorita como uma adolescente de dezesseis anos.

Bem, é o que eu era naquela época. Uma adolescente de dezesseis anos. Estou perto dos 20, o que me assusta um pouco, mas também acalma quando penso que meu amor por você está mudando com a idade. Ele está amadurecendo, mas dói um pouco não conseguir me empolgar por algo de novo. É como se tudo o que eu passei antes de te conhecer estivesse voltando. Você foi um bom remédio por algum tempo, mas o efeito não é mais o mesmo, eu estou tão viciada que já virou parte de mim e preciso de algo além disso.

Não sei se estou sendo clara: nós não estamos terminando. É um pedido de ajuda, na verdade. É uma forma de dizer "por favor, não me abandone agora", por mais que pareça o contrário. Você me deu forças pra continuar quando eu mais precisei, mas eu sou assim mesmo. Não posso cair na rotina ou caio em depressão. A vida anda bem entediante, pra falar a verdade. Quando acordo, já sei meu dia inteirinho e acabo não tendo vontade de levantar da cama. Quando sei que vou te ver, levanto mais rápido, mas ainda assim tenho levado mais tempo do que gostaria. Ou do que costumava levar quando amava a vida.

Te conheci muito nova e te vi como uma experiência boa. Você não levava a vida como as pessoas que eu conhecia e tudo o que você fazia - os bares que frequentava, as músicas que ouvia, os programas que assistia - era novo pra mim. Era empolgante conhecer um mundo novo. Seu mundo hoje é o meu. Te conheço de trás pra frente. Sei qual CD você coloca pra tocar quando está nervoso. Já sei que muda de música toda vez que estamos na rua e o sinal fecha. Já espero que puxe uma conversa sobre um assunto aleatório quando alguém interrompe um momento só nosso. Eu sempre conto os segundos até que você faça exatamente o que eu acho que vai fazer. Poucas vezes errei.

Gosto que seja minha metade. Acho que isso tudo quer dizer que você realmente é o que falta. Mas eu nunca me contentei só com o estritamente necessário. Sempre quis me dar o luxo de ter um pouco mais. Eu ainda não sei o que é. Talvez uma nova casa, uma viagem pra Buenos Aires, uma reforma na sala, um gatinho preto... quem sabe? Coisas assim, simples, mas que nos transformam. Como você quando apareceu, descendo as escadas pra ir almoçar e resolveu segurar a porta pra mim. Foi ali que a vida mudou e eu nem percebi. Me dá um alívio pensar que as maiores alegrias das nossas vidas estão nas coisas que não escolhemos. Mas, se eu puder escolher uma só: que eu possa ter você ao meu lado sempre que uma alegria nova surgir.

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