1.11.13

Sunburn

Ameacei apertar "enviar". Os pequenos cacos de vida que eu andei juntando se tornaram mais fortes que os que ainda estão no chão e me impediram. Sabem que não vale a pena. Que eu já insisti demais, que talvez você não queira mais. Ainda estou aprendendo a lidar com a ideia de que nós não fomos feitos um para o outro, mas acabo achando muito difícil e tomo alguns comprimidos pra dormir sem pensar muito.

Não tinha nada demais na mensagem que escrevi hoje pela manhã. "Parabéns", "felicidades", coisas assim. Clichês de aniversários. Desde de que te conheci, não falho. Mas a vida mudou, nós não somos mais os mesmos. Passou nosso momento. E eu não sei se duas linhas fariam diferença. Eu digo, você sabe que te quero bem, não sabe? Então estamos bem.

Se nos encontrarmos daqui alguns dias, sei que não vai perguntar se esqueci, mas faça uma cara feia, de quem não quer conversa com gente que não dá valor. Como eu já fiz algumas vezes. Se quiser bancar o forte, pode também. Você sempre disse que não precisava de ninguém nessa vida. Eu sempre me sentia tão fraca, porque vivia pensando que precisava mais de você do que qualquer parte de mim pra sobreviver. Nós sempre fomos muito diferentes, né? Eu não conseguia perceber nada disso. Não conseguia ver que você tinha um lado que nunca permitiria que ficássemos juntos. Hoje sinto muito.

Se quer saber, apesar de tudo, que a vida seja boa. Que ela melhore, pra falar a verdade. Seria hipócrita se desejasse tão pouco a alguém que me deu tanto. Só porque tem defeitos, como se eu não tivesse os meus. Que você seja feliz, porque eu ando descobrindo que eu também posso ser - sem você. Que um dia nos encontremos por aí e possamos nos tratar como amigos de longa data e ir embora sem dores. Que você tenha sempre o melhor. E eu ainda estou longe disso.

1 comentários:

Rafa Monteiro disse...

Lindo texto!

Beijos
Mulher Antenadíssima ♥