7.11.13

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É uma cidade diferente com velhos hábitos. Maus hábitos. Pensamentos distantes, que viajam no tempo, na linha da melancolia. Me pego sorrindo, mas não como todas as outras pessoas ao redor. Arrisco uma comparação com Monalisa. Talvez ela viajasse no mesmo trem. Não é felicidade nem dor. Não é bem alívio, porque ainda aperta conforme me distancio daqui. Talvez seja a vontade de que a força do pensamento realmente tenha força para realizar o que desejo ou só gratidão pelo que já passou e anseio pelo futuro. Confesso que não sei dizer e, o que é pior, ninguém sabe.

Eu sempre fui solitária. Achei que sempre seria. Era rebelde e não gostava de gente. Me trancava no meu quarto como se tivesse tudo o que eu precisava. Não dava chance a ninguém e nem a mim mesma. Paredes altas demais para que alguém se atrevesse a escalar. Esqueci das portas e janelas. Nem eu mesma conseguiria sair. Mas um ditado americano que eu aprendi aos catorze anos, "where there's a will, there's a way" (onde há vontade, há um caminho), me ensinou que nada é impossível. Pode ser que quase. Nunca por inteiro.

Acredite: eu não tinha vontade, não queria um caminho para mim ou para os outros. Mas conheci um homem bom, curioso para saber o que se passava entre minhas quatro paredes. Escalou e pulou, disse que nem precisaria voltar, mas me fez querer quebrar todo o concreto e sair com ele. Criei um conto de fadas sem nunca ter lido um sequer. Achava todos piegas demais.

Virei isso. Alma recém-nascida num mundo de possibilidades infinitas. Fui obrigada a renascer quando vi que a vida era muito maior que a que eu havia planejado. Ainda estou engatinhando, pra falar a verdade. Meu príncipe foi embora. Não queria contar, mas acho fundamental para a história. Doeu e, no lugar de muros, quis cavar um buraco, mas fiquei sem forças para fazê-lo. Resolvi procurar um lugar onde me esconder e acabei descobrindo tantas coisas que decidi ficar.

Também descobri que o que machuca, ao mesmo tempo fortalece.

1 comentários:

Bruh Scabbia disse...

Já fui assim também: rebelde, desconfiada. Acho que com o passar dos anos mudei e melhorei isso. Hoje em dia sou mais sociável, tenho amigos, namorado. E estou imensamente feliz. Acredito que a idade faz com que percebamos que o tempo está passando e desperdiçar isso é idiotice. Muito bom o seu texto. ^^