20.11.13

Passenger

Não abra meus olhos. Digo, não tente. Eu vou ficar irritada, vou querer correr às seis da manhã no mesmo parque em que eu fiz duetos de músicas do U2 com o mesmo cara que você acha que não é boa companhia pra mim. Eu gosto daquela nossa amiga em comum que mente pra mim e diz o que eu quero ouvir. E olha, eu sei que ela mente. Eu não estou vivendo num universo paralelo onde tudo é perfeito. Eu só preciso que seja, então eu fecho os olhos e aceito o que a vida dá. Mesmo que seja pouco. Mesmo que eu mereça mais.

Acho que num certo ponto da vida nós começamos a aceitar que o melhor já passou e lutar por ele é inútil. Você sabe de alguns dos meus desperdícios, mas não sonha quantas coisas realmente já escaparam da minha mão por falta de força pra segurá-las. Eu encontrei algo que eu consigo suportar e prefiro tê-lo do que arriscar de novo, entende?

Eu sei que ele não me ama. Mas me fez sentir amada e pra quem eu era aos 17 anos, esse tipo de coisa contava. Acabei me agarrando demais a pequenos detalhes que não passaram de coincidências e hoje não consigo desapegar. Eu tenho noção de tudo isso. Tenho noção de que não há futuro aqui. Mesmo quando ficamos bêbados e ele jura que o tempo poderia parar ali que seria feliz. Dizem que a bebida nos deixa mais sinceros, mas eu acho que tem o efeito contrário nele. Ou talvez ele seja realmente forte sóbrio e consiga negar todos esses sentimentos que tem tarde da noite.

É aí que está o problema: eu não sei. Eu nunca vou saber. Eu estou com uma pessoa que ainda não consegui decifrar, três anos depois. Que tipo de relacionamento é esse? Só consigo pensar que não é. Não sei o que me satisfaria, confesso. Mas acho que não poder ter controle de algo pela primeira vez na vida é muito libertador. É a primeira vez que deixo algo nas mãos do destino, que eu nem sei se realmente existe. E eu me sinto bem assim, eu sinto que as coisas vão se encaixar com o tempo. Uma hora, esse tempo passará e chegará o futuro. Se ele não estiver aqui, saberei que estava certa. Se permanecer, talvez se torne uma daquelas coisas que eu não consigo suportar.

Então deixe as coisas como estão. Porque nem eu mesma sei como gostaria que fossem.

1 comentários:

Anônimo disse...

eae monga há qto tempo