15.9.13

Todo mundo está mudando

Não há nada mais solitário que uma manhã de domingo pós-balada. Nada supera o sentimento de estar sentada num vagão sentido Vila Prudente com mais uma dezena de adolescentes esgotados. Aliás, uma coisa que reparei desde que comecei a sair à noite, é que as pessoas andam se cansando mais rápido. Ou têm pressa de ir para casa antes que o sol nasça porque pode ser que tenham o mesmo medo de enfrentar o dia que eu passei a ter de uns meses pra cá. Parece que a claridade machuca.

Dizem que os quietos observam mais, mas eu nunca fui quieta e ainda assim consigo captar cada detalhe que pra maioria passa despercebido. E acabo inventando histórias na ida pra casa. Já encontrei até serial killers em catracas da Brigadeiro. Somos todos tão diferentes, mas eu acho que uma coisa que nós, que estamos ali às 4h40 pontualmente, temos em comum, é a vontade de uma cama quente e o arrependimento de não termos ficado em casa. Sempre há exceções. Tem sempre aquele grupinho que consegue viajar 5 estações rindo alto. Dá até uma certa inveja. Essas noites na Paulista andam tão vazias. Queria andar menos triste.

Já faz tempo que alguma coisa me atormenta e eu não sei direito o que é. Acho que preferia me sentir vazia, pelo menos preencheria com qualquer coisa que aparecesse e tudo ficaria bem. Mas parece até que carrego mais do que deveria. E eu tenho medo de deixar o peso errado para trás, então sigo com tudo em meus ombros. E eu saio à noite pra me distrair, mas a balança mostra o mesmo número e tudo o que eu consigo fazer é implorar pra hora de chegar em casa chegar logo. Parece que tudo fica mais pesado conforme ela se aproxima e conforme faço meu trajeto, minhas costas doem e a cabeça lateja. Já estou com sono e sempre o culpo pelas angústias, porque pode ser que eu só precise descansar. Tudo vai passar depois de umas horas de sono. Com o tanto de compromissos que eu tenho quando acabo acordando atrasada, até que tudo passa mesmo.

O problema é que parece que a vida sempre vai ser um montinho disso. Angústias e medos, tentativas de escapar de todos eles e algumas horas de sono entre uma coisa e outra. E pode ser que seja assim com todo mundo e alguns saibam escapar. Aquelas exceções do metrô. Acho que eu nasci pra ser regra. E regras são tão chatas. Todo mundo quebra. Todo mundo ignora. Todo mundo tenta mudar. Mas nascemos para ser o que nascemos para ser. Nem sempre felizes.


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