5.9.13

Ninguém é uma ilha


Todo mundo é hipócrita. Nem se atreva a dizer que não. Até porque eu sei que sou, mas só aceito ser se hipocrisia não for característica de um só grupo de pessoas. Todo mundo é hipócrita, combinado? Confesso que gostaria de mudar, mas todo mundo julga, todo mundo se contradiz, todo mundo é até um pouco falso. Alguns mais, outros menos. A gente nasce com sementes boas e ruins e cultiva um pouco de cada. Acho que algumas das ruins andaram florescendo em mim.

Sabe aquele discurso do filme Meninas Malvadas (que toda menina da nossa idade já assistiu umas dezenas de vezes), que chamar alguém de feio não te faz bonito, chamar alguém de pobre não te enriquece etc? A gente esquece disso, né? É tão mais fácil ser gentil, mas acho que desafios são excitantes. Ser mau é um desafio. É tão difícil nas primeiras vezes. Você já deve ter se sentido assim, como eu. Você faz algo ruim a alguém, às vezes, sem querer, e depois se remói todo por dentro. Dá um aperto e você quer consertar. Nem sempre conserta, mas deixa na sua lista (infinita) de coisas a fazer e torce pra que não seja tarde quando for colocar em prática.

Eu acredito em energias e força do pensamento. Mas também acredito em Deus e que Ele sabe quando se deseja algo do fundo do coração e quando não. Eu vivo falando asneiras por aí. Por necessidade de ser engraçadinha, porque estou num dia ruim e, pasme, até por necessidade de atenção. Nunca admiti isso antes. Estou aliviada. Dizem por aí que admitir é o primeiro passo. O problema é que ninguém é uma ilha, ninguém vive sozinho, por mais que queira. O problema, também, é que esse mundo tem 7 bilhões de pessoas e querer agradar a todos é loucura. Bem que eu queria, mas tá começando a cair a ficha de que agradar quem a gente gosta já é o suficiente. Era exatamente aonde eu queria chegar. Agradar quem a gente gosta. Demonstrar admiração quando é verdadeira. Não ter vergonha do que a gente é. Porque o contrário dói em outros e mais tarde dói de volta. 

Não queria ter causado danos, nem mágoas, muito menos distâncias. Eu julguei tanto quem já fez exatamente a mesma coisa, julguei o egoísmo e necessidade de atenção de outros e muitas vezes eu estava vendo só na superfície. Aí olhei aqui pra dentro e vi exatamente a mesma coisa. Caiu a ficha e eu cheguei a duas conclusões: eu me arrependo e, pra não me odiar ainda mais, tenho que torcer pra que seja verdadeira minha teoria de que todo mundo é hipócrita. Diz que é?


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