14.8.13

Two pieces

Eu sempre aceitei metades. Depois de três anos, parece que finalmente caiu a ficha que não há macete que complete um quebra-cabeças com peças faltando. Nada mais encaixa naquele espacinho. E qual a utilidade de uma imagem incompleta? Tantas coisas poderiam se esconder no que está desaparecido, eu nunca vou saber.

Eu sempre abri os braços para meios amores. Todo mundo tem algo bom para dar e vai que eu dava sorte e pegava justo a parte boa. Na maioria das vezes, não foi o que aconteceu. Era bom quando era bom, mas era um inferno o resto do tempo. Eu sofria por alguém que já estava em outra, com outra. Pensava sempre que era o copo meio cheio e nunca meio vazio. Mas era sempre vazio.

Eu sempre topei fazer coisas que iam contra o que eu acreditava. Tudo por quem eu amava. Eu só queria o mesmo amor de volta. Eu sou intensa e eu queria receber o que emanava. Fui ao fundo do poço pra descobrir que fui por alguém que já estava lá e nem fazia questão de sair, só de levar os outros consigo. Demorou pra eu escalar de volta.

Eu não sei, acho que sempre tive um fraco pelos fracos. Era mais necessidade de fazer com que percebessem que poderiam ser cem por cento do bom que tinham do que falta de amor próprio. Ou talvez eu só esteja inventando desculpas para mim mesma. Mas se você quer saber, eu já fui metade e alguém pode me desaguar em algum riozinho por aí e me fazer nada de novo. E eu espero que alguém perceba que a metade de algo pode completar outra. Pode ser que eu sempre aceite todos esses pedacinhos de corações que encontro por aí e os ame como a mim mesma. Porque a gente só ama quando se ama e quando é assim, tem amor pra dar e sobra.


2 comentários:

Karla Cunha disse...

Que lindo. E que profundo, viu?
Mas sabe o que eu acho? a gente não tem que se fechar pra tudo. Mesmo que seja um pedacinho só, uma metade de coração... acho que se alguma coisa nos diz pra tentar, a gente tem que tentar. Vai que esse como meio vazio se transforme em meio cheio? Quando estamos com vontade de arriscar, a gente tem que ir em frente.

Só com consciência. A gente tem que saber que completar isso pode não dar certo. Que talvez esses pedaços nunca evoluam pra serem completos. A hora de sair de cena, mudar e ver que tudo já está desgastado é o maior dos problemas.

Mas o amor é isso. É a gente arriscando, quebrando a cara, aprendendo. Ficando forte e arriscando de novo. Até a gente amar o que for certo. E tomara que nao demore, né?

Um beijo!
www.kvcomvoce.com

Mirela F. de Souza disse...

Conheci o blog através daquele outro, se eu não me engano é "Pedrinhas na Janela", né?
Então andei dando uma olhada nos seus textos e fiquei impressionada em como cê escreve bem!
Pelo fato de eu gostar de textos\crônicas, já estou te seguindo para acompanhar tudo de pertinho ahah :)!

Bjão
chocolatenacereja.blogspot.com