18.8.13

Tudo o que você não pode deixar para trás

Eu já não lembro direito a cor dos seus olhos, o que é muito engraçado porque houve uma época em que eu sabia até os exatos traços das suas marcas de expressão. Sua voz está sumindo e eu me lembro das vezes em que cantamos alto no seu carro, claramente bêbados de tequila e amor, mas não consigo mais distinguir as vozes. Culpo o barulho lá fora, que me interrompe toda vez que tento, mas sei que é o tempo. O tempo passou.

Eu, que nunca soube passar mais de uma semana longe de você, hoje já viro o segundo mês sem ao menos uma ligação. Marcando um xis a cada dia, como algum tipo de contagem regressiva, mas sem data exata para acabar. Acredito que uma hora acabe, sim. Seria dramático demais pensar que nunca mais vou te ver. Dolorido demais. Eu não quero esquecer seu perfume. Engraçado que dia desses eu estava andando à toa e pelo menos três pessoas passaram por mim com perfumes que lembravam o seu, mas eram cheiros muito distintos e eu me peguei pensando que talvez eu já tenha esquecido até mesmo isso e nunca guardei ao menos um lenço com um pouco de você nele. Se não fossem as músicas, talvez não tivesse nada que me lembrasse você e um gosto amargo invade meus lábios, como se saudade fosse uma doença e um terrível mal estar fosse um de seus sintomas. Agora, dores. De cabeça, de estômago, tudo dói.

Eu já nem lembro o motivo de ser tão louca por você a ponto de correr atrás do seu carro em meio a avenida numa noite chuvosa, depois de uma das mil discussões que nós não conseguíamos evitar. Nada daquilo doía como não te ter. Era bom ser louca e chorar alto e querer te bater enquanto você dirigia gritando comigo, era bom ter história pra contar e inspiração pra escrever. Eu nunca pedi muito, pedi?! Quis te ver algumas vezes mais do que você podia, insisti muitas, mas acabava aceitando o que você propunha. Meu erro pode ter sido exatamente este. Não ter exigido mais, não ter dado ultimatos ou ameaçado colocar pontos finais. Porque mesmo com todo o tempo, sem sinais de você, sem dar sinais pra você, ainda não colocamos um ponto final. E eu sinto que é hora de te ligar, ouvir sua voz uma última vez e dizer que é isso. Que acabou. Ou só te ligar e ouvir sua voz. E seja o que Deus quiser, porque se depender do que eu quero, talvez eu acabe querendo relembrar a cor dos seus olhos, o seu perfume, as brigas e as noites...


1 comentários:

Jéssica Losacco disse...

UAUUUUUUUUUUUUUU!!!!! amei muito, alias, descreve desde o começo ao fim o que eu sinto...