5.8.13

Refúgio

Eu parei de reparar tanto no meu corpo. Eu parei de me machucar. Eu odiava todas as minhas manchinhas e criava cicatrizes que sabia que ficariam para sempre. Eu entrava em contradição o tempo todo. Parei de me importar tanto com o que pensavam quando passei a me importar com o que uma só pessoa pensava. Engraçado isso. Quis tanto agradar outro que acabei descobrindo como me amar. Eu parei de detestar meu quadril esquisito e minhas pernas finas. Comecei a sorrir mais em fotos e passar menos maquiagem. Um dia, até acordei e pensei que meu cabelo estava bom sem pentear. Vi que a lista de prós é maior que a de contras. Me desfiz de todo o meu guarda roupas e comprei roupas que me valorizavam. Resolvi que tudo bem usar salto vez ou outra, mesmo que eu tenha um problema com a minha altura acima da média. Não era só transição, coisa de adolescente. Eu ainda era a mesma, eu acho que só me apaixonei. Paixonite de menina da minha idade na época. Eu tinha uma necessidade de ser feliz muito grande e parecia que a chave para a felicidade que você podia me proporcionar estava em todas essas coisinhas. Eu tinha que me livrar de todo o desnecessário para tê-la. Eu me despi e você viu através de mim e das minhas imperfeições. Viu todo o outro lado e andou em minha direção. E eu sempre paro pra pensar que devo tanto a você por toda essa confiança que construí e até penso que o clichê "é preciso se amar para amar outro alguém" podia ser o contrário. Mas ainda é o velho clichê. Eu não te amei antes de me amar. Eu quis me fazer feliz antes de me entregar a você e descobri que é isso mesmo; a gente só ama outra pessoa depois que se ama. Mas que faz bem ter alguém esperando a hora certa para abrir os braços e aconchegar quem a gente se torna... Ah, faz.

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