9.5.13

Thinking out loud

Eu acho que deixamos uma parte de nós com cada pessoa que amamos. Não é difícil doar-se quando se ama, o problema é que amamos muitas pessoas ao longo da vida. Algumas delas contribuem para que não sejamos os únicos compartilhando o que temos de bom, outras simplesmente tomam o que oferecemos sem nem ao menos um sorriso em troca. Nós vamos chegar ao fim da vida com muitas peças faltando, algumas peças mal encaixadas, algumas que nem pertencem a este quebra-cabeça. É a regra do jogo e você pode até tentar ignorá-las, mas fica tudo muito confuso e até perde a graça. Eu não acho que seja uma metáfora, realmente acredito que a vida é um jogo. Começamos sem entender direito, sem bens, parceiros, estratégias. Com o tempo, criamos a malícia necessária, aprendemos a driblar os adversários e obstáculos. Às vezes, voltamos duas casas, às vezes, perdemos tudo e voltamos para a estaca zero. Antes da linha de chegada, perderemos e ganharemos, comemoraremos por nós e por outros, desejaremos coisas que talvez não conquistemos, mas sabemos que todos teremos o mesmo destino. Depois do fim, zera-se o placar. Não levamos nada. Nos apegamos à coisas que ficam restritas ao tabuleiro. Acho que complicamos demais, nos entristecemos demais, enfurecemos demais, por nada. Escondemos sentimentos e nem sempre dizemos o que pensamos por medo de como isso afetará a pontuação final, quando, na verdade, talvez tudo o que não fazemos, poderia elevá-la. Mas estas não são regras. São macetes que nós aprendemos com o tempo. Se viessem num manual, todos seríamos iguais, faríamos as mesmas coisas e seria mais fácil não ter jogo algum. Quem quer que tenha criado tudo isso, sabia o que estava fazendo. Eu não acredito que ele esteja preocupado com as nossas ações, não acho que ele ao menos tenha paciência de ficar observando todo o nosso percurso e muito menos que interfira nele. Devemos satisfações a nós mesmos, precisamos acertar por nós mesmos, independente de termos alguém observando nossos passos ou não. De qualquer forma, não chegamos inteiros. As partes que deixamos com as pessoas que amamos, também são quem somos e quando abrimos mão delas, já não temos mais controle. Então por que toda a preocupação se estamos fazendo o certo? O certo é isso mesmo, o frio na barriga e a incerteza do que nos aguarda, mas a certeza de que vale a pena.

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