29.4.13

Miss atomic bomb

Já faz tanto tempo, que revirei umas gavetas para procurar fotos suas e lembrar a cor dos seus olhos. Queria lembrar também o som da sua voz. Seu sotaque sulista. Você foi tão bom comigo, mas eu sempre gostei mais dos maus. Deve ter a ver com meu relacionamento com o meu pai, não sei. É só uma visão psicológica da coisa, ou só uma desculpa para eu nunca ter ligado de volta. Mulheres também podem ser cafajestes. Gosto de pensar que me assustei e fugi, mas eu não me assustei. Eu só consegui o que queria e fui embora. Só queria ter a satisfação de ter quem eu quisesse, quando quisesse. Quando você seguiu em frente, acho que parte de mim que eu nem percebi que havia esquecido com você também seguiu. E eu estou aqui, correndo atrás, mas não por você. Quero minha parte de volta. Você pode continuar caminhando, só volte aqui, devolva o que me pertence e vá embora. Claro que eu posso aproveitar para te convidar para um café na Avenida Paulista, podemos falar de todas as coisas que eu tive medo até agora. Você me perguntou sobre as minhas cicatrizes e eu disse que certas coisas eu não compartilho com certas pessoas, mas você me parece ser a pessoa certa. Eu posso falar sobre elas, então. Me pergunte o que quiser. Eu serei sincera. Estou tentando ser sincera agora, não está sendo difícil. O tempo que passo sentindo sua falta é muito maior do que o tempo que passamos juntos, quero que seja o contrário. Ou que, pelo menos, eu possa ter a certeza de que vou te ver em breve. Estou aqui bolando planos para que você venha até mim, só para devolver a parte que eu falei. E depois tope o meu café. E depois tope o meu amor.

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