25.4.13

Born to die

Eu me apaixonei uma vez. Ela era linda, pura, louca, na medida certa. Era o que eu sonhava, achava que estava vivendo fora da realidade. Ela perdeu o brilho com o tempo, ela ficou triste e transparecia. Não tinha mais o mesmo pique, ficava parada. Esperava o tempo passar ao invés de correr com ele. Eu queria mudá-la, mas acreditava em Deus naquela época. Acreditava que Ele faria tudo ficar bem sem que ninguém movesse um dedo. Eu rezava e implorava, chorava vez ou outra, nada. Tudo bem, então, talvez precise ser assim. Sentava, batucava na mesa, batia o pé no chão. Os dias passavam, menos brilho nela, menos ar no pulmão. A boca seca, a sede de dias melhores... Esta ninguém matava. Matavam tudo o que era dela, ela se matava lentamente, mas nunca a angústia. Mãos que te puxam são mãos que te empurram, pensava que não havia exceção. Talvez para algumas regras não hajam, mas é preciso confiar de olhos fechados na sua intuição. Eu disse "vai". Só dessa vez, quem sabe, eu estaria certa. Aconselhei, fechei meus olhos como pedi para que ela fechasse os dela, acreditei em mim e ela sentiu que eu acreditava nela quando o fiz. Num piscar, em outro lugar, feliz ela riu. É uma questão de paciência, coerência, não sei, confiança, fé em si não em algo, é uma questão de energia, quem você ama e quem você deixa te amar. Quem você toca e quem pode te tocar. As faíscas saem e às vezes são choques, uns matam outros trazem à vida. Que bom que te dei um choque de realidade, menina. Vê se entra nos eixos, vê se se queixa menos, vê se segura quem te segura em pé, vê se se agarra a quem não te solta, porque senão uma hora soltam. São esses que fazem falta, mas eu não vou te dar lição de moral. Vive um pouco e volta pra mim; linda, pura e louca como você era anos atrás. Ô vida, que bom te ver na direção certa. Na minha.

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