19.3.13

A good man

"Sabe, eu acho que você fica esperando que Deus, ou alguma coisa na qual você tenta acreditar, te dê todas as respostas e te coloque no caminho certo. Tipo, literalmente. Acho que você espera acordar um dia com a vida que sonhou na noite passada e sem preocupações. Acho que você tem medo de fazer por si e quebrar a cara, gente como a gente cansa de quebrar a cara. Mas uma coisa é cansar, outra é ter medo. Se eu fosse você, descansaria. Pegue seu carro e vá pra praia. Passe uma semana longe, eu deixo você largar tudo. Eu não sou nada, mas deixo você largar tudo. Se redescubra, sabe?! Eu percebi que às vezes a gente se perde. É uma merda. A gente vai quebrando e no meio do caminho percebe que precisa voltar atrás pra recolher os pedaços que caíram. Fazer o quê?! Volta, ué. Qual o problema de fazer o que você deseja? Qual seu medo? Você acha que fazer o que os outros exigem vai melhorar a vida? Não vai. Acho que eu falo demais, mas precisava que você soubesse que eu também já perdi um amor, meu pai também me deixou, eu também sou do interior. Eu sou nova, ainda vou errar, mas quando preciso de inspiração, não procuro pessoas como você, porque você chegou ferrado numa idade em que eu pretendo chegar consertada. Acho que isso foi rude. Não rude, não sei, acho que fui insensível. Desculpe. Eu só cansei de aconselhar pessoas que querem fazer o que querem fazer. Por que as pessoas pedem opiniões se já formaram as delas?! Vai mudar alguma coisa em você se eu disser "não" ou "sim" para o que você achar o contrário?! Eu tenho esse poder? Você é muito dependente. Talvez agora você se encontre e eu me arrependa de ir embora, mas pelo menos direi a todos que amei um homem bom. E não você.", sem saber se fazia muito sentido, foi. Sentiu que quebrava, ouviu cacos de vidro contra o chão frio, mas talvez estes não fizessem falta. Nunca voltou para buscá-los. Nunca quis voltar. Nunca teve vontade de dizer que sentia muito, ou de saber se amou um homem bom, mas sabia que, apesar de qualquer coisa, havia amado um homem. E percebeu que às vezes o confuso é muito mais bonito. Se sentiu como ele, lembrou que não há problema em fazer o que se deseja, mas não o fez. Sabe-se lá por quê. Foi à praia, sentou na areia para se redescobrir e descobriu que ninguém conserta vidro quebrado. Substituem. Colocou as mãos no bolso, os cacos cortando os dedos finos, jogou todos ao vento e viveu daquela forma. Quebrada. Até o último pedaço trincar.

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