31.3.13

A beautiful life

Eu não tenho feito nada que mereça recompensa ultimamente. E cada vez que me afogo, quero ficar mais tempo embaixo d'água. Não quero voltar à superfície. Não quero lutar pelo meu bem. Quero achar que, o que tiver de ser, será e viver como se eu não precisasse correr atrás do que quero. Ando esperando que coisas boas aconteçam para que eu saia do buraco onde me encontro há dias, mas as coisas boas não parecem saber o caminho até aqui. Sinto que eu também não sei mais o caminho até elas. Sei que vou ficar bem. Talvez demore, talvez alguém me salve, talvez eu me salve quando perceber que mereço. Já estive em lugares mais escuros. Mas uma parte de mim, uma bem pequena, às vezes acha que é isso e acabou. Acaba aqui. Como se eu tivesse esgotado meu estoque de vezes em que posso dormir na escuridão. Eu sempre quis ser simples. Sempre quis uma vida simples. Uma casa no campo, uma família que me cuidasse e uma para eu cuidar. Não sabia que a simplicidade era tão difícil de ser conquistada. Nunca quis dinheiro, nunca tentei me aproveitar de ninguém. Talvez tenha sido meu erro, as pessoas se aproveitavam de mim. Ainda assim, não quero mudar. Enxugo as lágrimas neste momento e me sinto uma criança. Tenho os mesmos sonhos que tinha quando criança. Toco o mesmo violão, moro na mesma casa, meu filme favorito não mudou com o passar dos anos. Me pergunto se a criança que eu era teria orgulho da adula que sou. Acho que eu não gostaria que ela soubesse o que ando fazendo quando não volto para casa. As coisas podem ficar feias quando um coração quebra. Também não gostaria que ela soubesse que seu coração será quebrado. E não será nem por uma pessoa qualquer. Naquela época, quem adivinharia que a pessoa que a destruiria seria a pessoa em quem ela se espelhava e mais amava? Você acumula muitas coisas em sua bagagem com o tempo. Acho que me perdoo por estar aqui hoje, é normal, depois de tudo. Preciso esvaziar a bagagem, é o que me impede de escalar até o claro. É pesada, mal chego na metade do caminho. Vou despejar tudo aqui. Vai doer, porque a gente se acostuma até com o que dói. A gente sente falta quando o mal se vai, acredite. Mas fica bem quando percebe que sentir não quer dizer que faça falta. Tiro peça por peça, largo no chão. Dou espaço para o que é bom. Pouco, agora. Mas tenho para mim que em breve será muito. Ainda não comecei a escalar de volta, estou me recuperando, mas não me preocupo. Quanto mais leve você se sente, mais alto você voa.

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