19.2.13

Two worlds collide

Sabe, amor, eu tenho pensado que é melhor não fazermos perguntas. É melhor aceitarmos que é hora de seguir em frente. Dói tanto quando eu te vejo e preciso acenar com um sorriso amarelo nos lábios. Minha vontade é de te abraçar tão apertado e me perder no nosso mundo por segundos que parecem eternos, como sempre fizemos. Fechávamos os olhos depois de um breve beijo e ficávamos um bom tempo sem dizer palavra alguma, éramos só dois corpos no meio de um cômodo mal decorado, um contra o outro. Foi a melhor época da minha vida. Não me lembro de ter sido tão feliz antes. Não sei como poderei ser feliz daquela forma agora. Não quero voltar no tempo, não quero que você volte pra mim. Queria que tivéssemos feito durar. Mas não. Talvez porque não era pra ser, e você sabe que eu acredito nisso, ou talvez porque não era amor. É muito difícil controlar minha vontade de chorar e sorrir depois que você já bebeu dez latinhas de cerveja e começa a piscar pra mim. Devia ter aproveitado sua chance quando ela estava em suas mãos, como eu sempre estive. Agora meu orgulho e lições aprendidas não me deixarão te seguir. Eu quero, mas não vou. Te seguir é ir na direção oposta do meu destino e, amor, o meu destino é tão bonito. Sabe que, às vezes, ouço sua voz me chamando e não tem ninguém por perto e sinto seu perfume em lugares inusitados, daí sorrio cabisbaixa, molho os lábios, quase entro em devaneio, mas volto ao mundo real, ajeito o cabelo e o fone de ouvido e sigo viagem. Porque é tudo o que posso fazer. Porque não quero parecer boba sorrindo num trem lotado de pessoas que não conheço. Porque nós fomos bons e nos fizemos bem, mas não mais. Às vezes esqueço. Às vezes falo de nós no presente, falo de você como se fosse te ver amanhã, como se você ainda fosse minha certeza. Deixe-me reformular; como se você ainda fosse parte desta minha vida. Minha certeza você sempre será. Uma parte de mim sempre estará esperando o seu retorno e esta mesma parte reconhece que talvez leve encarnações diferentes para que você a complete de novo. Quando eu fico louca de saudade e tristeza, esta mesma parte, parte esperta, me lembra que nada acaba aqui. O fim nem sempre é o fim, o ódio nem sempre não é amor, a distância nem sempre separa. Eu sei que você sabe que enquanto o sol souber voltar, haverá esperança. Está escuro agora, mas ele volta. Outra certeza.

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