12.2.13

Tempo perdido

Não finja que se importa. Não me pergunte se estou bem depois de quase dez anos, porque você não quer realmente saber a resposta. Eu aprendi a não precisar de você e, na verdade, de ninguém, então não tente se aproximar agora porque você é desnecessário. Ninguém te substituiu, só percebi que eu posso andar sozinha, mesmo que o processo seja mais longo. Quando a gente quer mesmo uma coisa, a gente consegue. Você quis ser livre e viver sua vida sem dar satisfações. Eu quero ser livre e viver minha vida sem lhe dar satisfações, também. Até porque nada do que eu faço te diz respeito agora. Eu aprendi a ser feliz e me fazer feliz. Não se pode depender de ninguém pra ser feliz e isso não é frase pronta, é o que eu vi na vida. Não tive tempo de sofrer com a sua partida. Enxuguei lágrimas que não eram minhas, limpei a bagunça que você fez, gastei toda a minha energia correndo de um lado para o outro pra que tudo entrasse nos eixos. O tempo que eu tinha eu não podia gastar chorando. Eu tive sorte. Desabei mais tarde, confesso, mas não te culpo. Não quero que nenhuma das minhas ações reflitam você, porque você não é parte de mim. Desabei porque cansei. Amadureci cedo e conquistei minha independência com a mesma facilidade e rapidez, fui de extremo a extremo em menos de duas décadas de vida e pra mim bastava. Já tinha visto tudo o que precisava. O muito bom e o muito ruim. O melhor e o pior das pessoas. Mas eu acordei um dia e pensei que só porque já tinha visto tudo, não queria dizer que era o fim. Apesar dos momentos de tristeza serem longos, os de felicidade eram maiores, me davam força. Os momentos bons faziam os ruins valerem a pena. Então que se dane, decidi um dia. Prefiro continuar. Talvez se você não tivesse partido eu estaria bem também, ou talvez não pensasse dessa forma. A verdade é que eu gosto da vida hoje. Tenho gostado faz um tempo. E em nenhum momento eu precisei de você por perto pra isso.

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