23.2.13

Lonely

Você arrumou suas malas e foi embora. E, olha, não foi o primeiro. Talvez nem fique marcado, porque já sofri por isso antes e não tenho tempo pra sofrer de novo. Você disse que eu não era boa o suficiente. Meu espelho já me disse isso também e eu superei. Os danos que suas palavras podem causar não chegam nem perto do que ele me causou, então, nem tente. Descobri que a vida é baseada em escolhas, eu sofri até a hora em que escolhi não sofrer mais. Uns minutos atrás, na verdade. Meu travesseiro já suportou muitas lágrimas, meus amigos já ouviram muitas reclamações, já perdi muito tempo com mágoas. Às vezes, precisamos dizer adeus ao que amamos para sermos mais fortes. Questão de sobrevivência. Por que eu devo ficar triste? Por você? Que não vale a pena? Já passei por dificuldades maiores, é que às vezes esqueço disso. Esqueço que já aprendi com o mesmo erro, esqueço que houve uma época em que eu não precisava de ninguém e era muito melhor. Às vezes, funcionamos melhor quando estamos sozinhos. Ninguém é metade de ninguém, sabe, somos inteiros. Quais são suas paixões? O que te faz sorrir? O que te faz mal? Comecei a fazer listas. "Me faz bem", "Me faz mal", "Quero", "Preciso". Descobri muita coisa a meu respeito. Descobri que o que eu preciso, eu já tenho, o que eu quero, eu conquisto, mas não é prioridade. Descobri que o que me faz bem é simples e o que me faz mal nunca veio de mim. Sempre fui muito dura comigo mesma, sem motivo. É hora de aceitar que eu sou minha e não devo me doar, porque geralmente doamos partes que fazem falta no futuro. Finalmente aceito que podem falar, mas eu não sou obrigada a ouvir. Podem apontar meus defeitos, mas todos têm os seus. Tem mais de mim do que vêem, e é melhor que não vejam todos os lados. É preciso manter uma pergunta no espelho: toda pessoa vazia quer algo de você, vai deixar que levem o seu melhor?

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