9.1.13

Boy without a heart

Eu gostava tanto de você. Gostava do seu nome, que era fácil de rimar, do seu cheiro, da sua voz quando cantava suas músicas favoritas. Você parecia bom, mas eu merecia melhor. Comecei a ver que as noites com você eram boas, mas os dias eram inferno. Seu perfume era doce, mas você era amargo. Suas músicas favoritas não eram as minhas. Você me colocava pra baixo só pra ser a pessoa que me levantava mais uma vez, discutia comigo só pra ter assunto pra próxima conversa. Eu vivia presa, até o dia em que você decidisse que não queria mais. Você me soltou primeiro. Acho que eu já não era mais boa companhia. Eu ainda fiquei uns dias na gaiola, com a porta aberta, sem saber o que fazer. Olhava pra fora e pensava que não sabia mais viver. Por tanto tempo você me controlou, ficou difícil saber o que era certo e o que era errado. Eu tinha medo de sair e o mundo me devorar. Mas aí caiu a ficha: o que poderia ser pior que você? Que me consumia e me maltratava. Você sugava toda a minha vida e eu sempre dava um jeito de levantar forte. Descobri, com o tempo, que você conseguia ser mais cruel que a maioria das pessoas que cruzavam meu caminho e a vida tem obstáculos muito mais fáceis que os que você impunha. Não percebi antes porque você me prendeu muito nova, eu ainda não sabia da vida. Saí do seu mundo adulta. Acho que até devo te agradecer, mas que pena pra você. Pode fazer isso com quantas quiser, você fica cada vez mais fraco e uma hora não vai mais conseguir estragar outra vida. Vai estragar a sua. É uma pena você não saber gostar de ninguém além de você mesmo, porque eu gostava tanto de você.

1 comentários:

Anônimo disse...

Pode ter sido melhor para esta pessoa ter deixado você ir por que houve algum motivo, e um motivo que você, mesmo sem perceber, possa ter dado a ele.