13.12.12

Estopim

Às vezes, chove muito e eu espero a sua ligação;
"O trânsito tá um inferno, não quero ir pra casa não.
Vamo tomar uma cerveja, uma caipirinha de limão."
Mas você nunca me liga, eu espero sempre em vão.
Acho que não sou boa companhia, sou só boa distração.

Às vezes, tá escuro e eu choro só pra mim;
"Tudo começou tão bem, não esperei que fosse assim.
Tudo um dia acaba, mas eu não via o nosso fim."
Te perguntei se você via, você nunca disse sim.
Hoje sei que só dizia não pra não acender o estopim.

Às vezes, o sol nasce e eu encaro um novo dia;
"Mas que droga de calor, mas que droga de vida.
O ônibus não passa e ninguém me alivia."
Parece até que eu não sabia que tudo mudaria-
O sol nem sempre nasce, a noite às vezes é infinita.

Às vezes, quase sempre, doo e quero fugir;
"Mas que droga de parede, consegue sempre me impedir.
Consegue me manter presa, tranca as portas pra eu ficar aqui."
Sinto que cavei outro buraco do qual nunca vou sair-
Sempre cavando e achando que alguém me ajudará a subir.

Mas às vezes chove muito, venta horas sem parar;
"Que a terra me acompanhe e impeça a chuva de entrar."

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