4.11.12

Blank Page

Eu era uma página em branco quando você me conheceu. Deixei que escrevesse em caneta sobre o que quisesse em minhas linhas. E você começou certo, escreveu em linha reta, como uma criança na primeira semana de aula. Mas o tempo passa e a gente já não liga tanto pro que escreve nem como escreve depois que ele passa.  A gente pula umas palavras e rabisca outras, mesmo que o texto fique sem sentido, mesmo que fique feio... A gente percebe que depois que virar a página, raramente volta-se nela. Talvez nunca volte, porque não precisa mesmo. A gente perde a folha e nem sente falta. Mas eu sou a página, querido. E eu vou ficar pra sempre aqui, escrita, rasurada, dolorida. Cheia de palavras lindas lá em cima e tantas reticências aqui embaixo... Nenhuma conclusão, nenhum ponto final, mas mesmo sem um final, sei que não posso mais ser escrita porque não há mais linhas. E mesmo que alguém tente apagar suas palavras, mesmo que elas quase se apaguem, a gente consegue ver as marcas por trás das novas. Acontece com todo mundo, alguns rápido demais, alguns tarde demais, mas a vida não se resume nas novas palavras, e sim no que veio antes. Te marca pra sempre.

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