25.11.12

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Parece uma daquelas noites, em que somos jovens e invenciveis, quando podemos esperar o sol renascer e continuar dançando sobre a areia da Praia dos Sonhos e sob coqueiros enfeitados. Noites que eu nao tinha havia anos. Nem mesmo quando eu realmente era jovem e destemida. Parece certo pular de cabeça nas águas do litoral paulista e esquecer por um momento que há uma rodovia, e apenas isto, me separando de onde tenho deveres a cumprir. Talvez seja certo. Talvez eu devesse largar meu emprego, sacar meu dinheiro e fugir para um lugar onde a cerveja seja mais barata e mais gelada e Francisco pague minha saideira e caminhe comigo até meu portão. Mas não sou mais tao jovem e invencivel, nunca fui muito destemida, sempre esperei a vida vir me encontrar no metrô Jabaquara e, às vezes, ela demorava e eu desistia. Queria ter feito mais e cansado menos. Queria ter feito aquela ligação e chorado por uma possível resposta negativa que por ficar me perguntando "E se?". A verdade é que, nao importa aonde eu vá, a bagagem é  pesada - cheia de arrependimentos, cheia de tristezas e desilusões. Mas tem um bolsinho onde cabe um pouquinho de esperança, que um dia conseguirei me livrar de tudo o que ocupa espaço e coloque coisas boas para levar à minha próxima viagem. Pessoas lindas, sentimentos bons e pensamentos positivos. E aí talvez eu até pare. E talvez ate a descarregue. E talvez eu seja feliz e nao só esteja.

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