23.10.12

Dançando

Hoje tive nojo de você, pela primeira vez. Nojo é uma palavra tão forte, nunca quis usá-la. Até agora. Até estar sentada na cama onde escrevo as músicas que você não entende e pensando nas coisas que você disse. Você não me vê vazia?! Não vê que preciso de alguém que preencha esse espaço com coisas boas, coisas que me façam dançar ao acordar e rir sozinha no meio da madrugada?! Você não entende metáforas e não percebe indiretas, mas eu não vou implorar pelo seu lado bom, porque talvez eu seja inocente a ponto de pensar que você possui coisas boas a doar. Talvez te incomode se eu disser em voz alta, porque você não vai saber explicar que cultivou tantas trapaças e mentiras que hoje elas te dominam. Até começo a achar que o vazio aqui é você. Não tem nada a compartilhar com quem te ama, não tem palavras a dizer ao ver lágrimas, não tem reação quando é abraçado. Você só quer noitadas e flertes e qualquer um que não te conheça bem o suficiente para dizer o que falta aí dentro. Falta o amor que você não deixa entrar, falta vontade de experimentar coisas novas, falta coragem pra se entregar a qualquer coisa que mude a pessoa que você conhece quando olha no espelho. Você não nasceu assim, certamente não cresceu assim nas areias de Ilha Comprida, então me diz o que te fez tão amargo?! Nem ao menos deve doer hoje em dia... Você já deve ser pedra por dentro e só é pele por fora porque Deus quis assim. Tem tanto medo de morrer e já parou de viver há muito tempo. Que pena, querido. Talvez eu tenha sido a última a te amar. As outras agora amarão seu carro, seu apartamento, seus vinhos e aquele whiskey que eu nem sei o nome... Não vão deitar nos seus braços querendo ficar ali e apenas ali. Não vão te beijar torcendo para que nunca precisem beijar outros lábios. Não te toca, ouvir tudo isso de alguém que perdeu o último encanto por você? De alguém que você teve em mãos, amassou, e deixou jogado no chão do primeiro quarto barato que encontrou? Me doeria. Mas você é feito de ferro, não é?! Quase esqueci... Não posso me esquecer, pra não correr o risco de voltar pra você. Porque se você fosse o que fingia ser quando me conheceu, você estaria aqui. E olha aonde você está...

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