19.10.12

Anybody's heart

Eu te perdoei quando as folhas envelheceram, a tinta borrou e você não passou nossas palavras a limpo. Soube ali que a história não teria o fim que eu previ, mas aceitei porque Deus tem planos. O plano Dele não era igual ao meu, mas eu jurava que seria melhor. Então também te perdoei por não estar ao meu lado quando adormeci onde agora escrevo e acordei num quarto branco. Se você estivesse lá eu não teria adormecido. Eu nunca teria escondido vodca e curativos no forro da bolsa que levava para a escola se você não tivesse dito "não" quando insisti para que me encarasse. Ainda assim, a culpa não é sua, por mais que soe como se eu te culpasse. Já encarei pedras e gravetos e palavras que não merecia, mas acho que todos os enfeites e luzes de dezembro me trazem de volta à sua rua. Já fui mais forte que isso, mas força não te manteve perto. Essa é a décima segunda carta do ano e será só mais uma de milhares que enviarei durante a vida, vendo seu rosto novamente ou não. Quero que se lembre do quanto eu te amei, do quanto você disse me amar e do quanto juramos não deixar isso morrer. Enquanto eu viver, saiba que pode me procurar, o dia e hora que quiser, mas saiba também que cada minuto é uma corrida a favor da vida e às vezes meus joelhos falham. Tenho medo de não chegar em primeiro na linha final. Só queria que você estivesse lá, torcendo, mesmo que eu nunca completasse a jornada que planejei. Mas tudo bem, também. Se você não estiver, talvez seja melhor mesmo nunca chegar...

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