6.3.12

Não tão cedo.

Eu tenho mania de criar momentos nostálgicos. Esquento café, espero o sono passar, faço uma playlist com as 20 músicas mais tristes que já ouvi e tarde da noite relembro momentos. Vejo fotos. Sinto saudade e não posso matá-la.
Eu gosto tanto da minha vida como ela é hoje. Mas a gente sempre arranja um defeito. Eu poderia estar seguindo em frente e dizendo a mim mesma que não há motivo para lágrimas. Você foi parte da minha vida e agora será parte da vida de outra pessoa. E outra pessoa será parte da minha. É um ciclo. Mas, quando eu decido ver essas fotos, assistir a esses vídeos... Eu não evito. Eu tenho vontade de te ligar a hora que for só pra dizer que quero mais uma chance de ser a pessoa que eu era ao seu lado. Mas sei que você diria: "Mais uma chance? Já não te dei o bastante?". Sim. Então eu desligo a música e vou deitar, pois não há nada que eu possa fazer agora. Já é tarde.
Bem lá no fundo, sei que em breve passarei pela mesma melancolia e pelo mesmo desespero de ter você ao meu lado. Queria saber se você também se sente assim. Ou se já não sente nada, nem ódio, nem rancor, mágoa... nada. Tem dias que eu quero começar uma briga com você para te ouvir gritar e me punir por tudo o que te fiz passar, quando os problemas eram meus e eu só queria descontar em alguém. Eu descontei num amigo. Muitos disseram "se ele te abandonou, não era seu amigo". Mas meu espelho me diz "você o tratou como se ele fosse qualquer um". E até por isso tenho evitado meu reflexo. É o pior castigo, ter sua própria consciência te dando as respostas que você procura, te dizendo que você está colhendo o que plantou.
Eu não sei até onde minhas palavras irão, então encerro por aqui. Minha vontade de ligar já é grande e a última música já está tocando. Mas eu espero que algo, um sonho, que seja, te faça sentir que eu sinto sua falta. E que nosso fim não tenha vindo com o começo do verão. O inverno era para chegar em 3 meses, não tão cedo. Nosso fim também, não tão cedo.

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